quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

- Sabe, faz-me confusão a importância que se dá a inaugurações de hiper, super ou mini-mercados. Existem tantos, de tantos grupos económicos e particulares que fazer disso um acontecimento parece-me descabido.
- Hum, hum...
- As pessoas, aliás, tendem para um certo saudosismo para com o passado, o manual, o feito em casa, o tradicional e depois metem-se em shoppings, supermercados e não compram nada no comércio tradicional ou ao produtor. Fazem-me espécie as feiras do queijo, do vinho e do fumeiro das grandes superfícies.
- Ah, sim?
- Sim, gente que compra um produto falsamente tradicional, embalado e produzido sabe-se lá onde, com uma marca "mais ou menos" registada, com um selo a dizer "tradicional" e ficam animados com isso.
- Pois...mas desculpe que lhe pergunte...
- Pergunte, pergunte...
- Com ou sem Número de Contribuinte?
- Sem, obrigado.

A rapariga passa o cartão na máquina, deseja-lhe um resto de bom dia e olha para a fila interminável de clientes, que enche a loja no dia de inauguração. O ser humano é uma criatura estranha, mas auto censurável como aquele homem não se lembra de ter visto.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Segundas Hipóteses

Uma maldição, nas histórias de terror, é muitas das vezes uma promessa. Promessa de vingança, de terror redobrado, em Harrow County parece ser uma promessa de renascimento, de renovação da natureza da personagem principal.

Harrow County começa assim: "As gentes de Harrow County condenaram a bruxa à morte...mas a bruxa não morreu facilmente. Hester Beck tinha sido alvejada, esfaqueada, espancada...e, por fim, enforcada pelo pescoço. Contudo, ela tinha sido um deles...uma vizinha e... por vezes...uma amiga...e os que a mataram ter-lhe-iam dado um enterro digno e a extrema-unção...mas a chuva deixou as páginas da Bíblia em branco. Em vida, Hester tinha sido uma curandeira. Curava debilidades e doenças com feitiços murmurados...afastando-as com tanto à-vontade como se afugentasse gatos vadios.

Estes amigos e vizinhos homicidas sabiam... que, tal como Hester podia curar os outros...também podia curar-se a si mesma. Por isso condenaram-na à bala, à lâmina, ao laço... e, por fim, ao fogo. Mas mesmo até enquanto a sua carne ardia do osso...Hester agitava-se e silvava. "Não é o fim...nunca é o fim para mim... eu vou voltar... outra vez... fiquem atentos e preparem-se... seja para cuidar ou matar... mas eu voltarei a ver-vos a todos!""

Harrow County começou por ser um romance e foi transformada em série de BD, talvez isso explique a escrita, cuidada, ambiental, soturna. Uma escrita que podia parecer desajustada num "mero livro de BD", caso fôssemos trôpegos e singelos de mente.
É dos casos mais flagrantes da beleza de sincronia entre texto e imagem, os desenhos de Tyler Crook, pintados a aguarelas, caem que nem luvas no texto de Culenn Bunn, numa simbiose perfeita de estranheza e beleza mórbida.

A história avança para o dia a dia entre Emmy e o seu pai, e rapidamente percebemos que Emmy será a maldição prometida, o regresso de Hester Beck. O primeiro volume deixa mais perguntas do que respostas, mas coloca Emmy perante essa descoberta e a necessária resposta, será que a natureza miraculosa, entretanto descoberta, dará lugar ao caráter maléfico e demoníaco explicitado nas primeiras páginas? Por enquanto, não! Emmy cresceu num ambiente controlado, sentindo-se amada. É uma jovem que quer descobrir o mundo, mas que gosta do mundinho em que cresceu. Sente uma dívida para com o pai que a criou.

Harrow County começa, logo neste primeiro volume, a criar a sua mitologia, O Rapaz sem Pele, os fantasmas, O Abandonado são criaturas sobrenaturais que habitam a região e que, alguns, defendem Emmy, abrindo-lhe o caminho para a descoberta da sua natureza. Se esta descoberta alterará a sua "moral"(se cuidará ou matará) é algo que fica em aberto, mas Emmy toma algumas decisões que mostram que está consciente do seu poder e que o usará, sempre que necessário, mata quando tem de matar para se defender, mostrando a sua força de carácter.

A árvore em que Hester é enforcada é uma das personagens deste livro, parte integrante da história de Harrow County, da bruxa, dos sonhos de Emmy, é "junto" a ela que Emmy descobre o seu passado negro, algumas das mais belas páginas do livro (Emmy no quarto, com o Rapaz sem Pele, e os habitantes de Harrow County junto à árvore, fazendo planos para se salvarem).

A natureza de Hester Beck e dos seus atos começa a ser desvelada, há milagres, há curas, há pactos e relações com o demoníaco que deixam entrever mais revelações. Somos apresentados a uma Hester que é também demiurga, que papel e qual a extensão da sua criação são perguntas para serem respondidas em números futuros.

Um belíssimo e sólido primeiro volume que nos leva a uma região escura, estranha e "maravilhosa", cheia de mistérios, que descobriremos passo a passo acompanhando a jovem Emmy no seu desabrochar. Estará para cuidar ou para matar? O segundo volume já não demora muito.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Lala Land

Não gosto de musicais, não sei se vem dos filmes de Bollywood que a minha mãe via e que nós víamos com ela, em pequeno; não sei se vem de ter dançado (surpresa!), num clube de inglês, no 5º ou 6º ano, uma cena de Serenata à Chuva e de ter visto essa cena perto de uma centena de vezes.
Sei que sinto uma espécie de urticária sempre que as personagens começam a cantar e a dançar, avançando ou não a narrativa; escusam de me tentar convencer das maravilhas e qualidades de Música no Coração, dos filmes de Astaire e Rogers, de Grease, Os Miseráveis, Fantasma da Ópera e quejandos, fujo deles a sete pés.
Gosto de um musical, Moulin Rouge, que vi duas vezes, ambas em cinema, pelo visual feérico e pelas músicas contemporâneas que usa. Não sei se envelheceu bem ou mal...
Quando Lala Land foi nomeado para um número sem fim de Óscares, batendo ou igualando o feito de Titanic decidi que tinha de o ver, mais não fosse para o comparar com um dos meus ódios de estimação, o tal Titanic, e para poder dizer mal dele.
A verdade é que a única coisa que sabia de Lala Land é que era um musical, da história nada. Fui às escuras, mas saí a ver a luz, pelo menos uma luzinha.

Lala Land é sobre o relacionamento entre dois aspirantes, ele, músico de jazz envolto numa cultura que já não conhece e ama o jazz, sonha abrir um clube de jazz, onde possa dar a conhecer o que tanto o preenche; ela, aspirante a atriz, funcionária numa cafetaria.
Os primeiros dez minutos foram sofríveis para mim, depois de uma cena cantada e coreografada (na minha modesta opinião, sem grande chama e originalidade, pouco mais é do que uma flash mob), mais uma cena a filmes musicais, com Ema Stone a cantar com as colegas de casa (e a urticária a crescer).
Mas assim que o foco passa para Sebastian (Ryan Gosling) e o seu piano, o filme começa a crescer de interesse, para mim.
Como não gosto de musicais, a minha mente tentou explicar-me, durante o filme, porque é que não podia gostar do filme, e confesso, há várias coisas que me passaram ao lado ou que me desagradaram.
Tem gente a cantar e a dançar (eu sei, estou a repetir-me; mas o Gosling a cantar não me convenceu - uma espécie de Harry Connick Jr. sem chama); tem algumas músicas mornas, inicialmente, mas ao ouvir a Banda Sonora a noção de conjunto é impecável, há ali uma temática e unidade invejáveis; há o John Legend (sorry, não sou perfeito); há planos e efeitos visuais recursivos, que perdem a piada ao longo do filme (o plano que escurece para iluminar somente o(s) actor(es)); uma cena que é demasiado kitsch (a do Planetário), mas em que se percebe a intenção, ainda que esta falhe.
Mas a realização é competente e minimamente interessante, tenta glosar alguns planos mais clássicos dos musicais tão caros à Hollywood da década de 30 e 40, ainda que tenha claras influências da geração do telemóvel na mão; tem um sentido de humor delicioso; é despretensioso; tem uma boa banda sonora; o filme pode ser visto quase como uma música de Jazz, há variações, pontos de vista diferentes, diversos "andamentos"; talvez pelo papel do piano, e de uma ou outra citação, fez-me lembrar de Monk; o final foge ao cliché habitual e fecha o filme com um toque de melancolia, que segundo a esposa perpassa todo o filme.
Os musicais da Hollywood antiga eram o produto do star e studio system, este não é, mas traz alguma nostalgia aos dias de hoje homenageando o jazz e o cinema, com tino e sensibilidade.

Uma boa surpresa, ainda mais para mim, que não gosto de musicais (eu sei, já não me repito mais).



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Eugenia

In Overy, Richard - 1939 Contagem Crescente para a Guerra

Leio na Wikipedia que Eugenia é um termo criado por Francis Galton, que significa bem nascido, na acepção de Galton, eugenia seria "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente".
O nazismo irá pôr em marcha a eugenia como forma de purificar a raça ariana. Não deixa de me surpreender que poucos dos ideólogos nazis, Hitler, por exemplo, fossem exemplos ideais desse arianismo!
Não sei até que ponto é que a eugenia nos choca, hoje. Seremos rápidos a criticar e condenar a eugenia nazi, mas a sociedade em que vivemos está a começar a ser eugénica.
A imperfeição genética é o suficiente para que muitos parem uma gravidez até aí desejada. Não me quero colocar na sua pele, mas será lícito achar que alguém com Trissomia 21 não tenha direito a viver? Conheço algumas pessoas com Trissomia 21, que são pessoas como eu, com algumas diferenças, claro, mas são pessoas como eu. São felizes, ativas na sociedade, ainda que com algumas "limitações". Mas terei eu o direito de os condenar a um fim antes do nascimento?
O sonho de alguns é poder escolher não somente o sexo do filho, mas também a cor do cabelo, dos olhos, quem sabe se daqui a alguns anos o peso, o QI e a inclinação sexual.
O Henrique Raposo escreve e explica melhor do que eu.
Ao fazermos um filho estamos a criar vida ou a espelhar-nos nele? Não será o aborto nestes casos uma forma extrema de egoísmo? Não consigo deixar de pensar na máxima do Gustavo Santos, Ama-te, se calhar estou a ser injusto, mas depois de ter investido uma hora e meia a ouvir uma entrevista com ele, não consigo deixar de ampliar o pensamento dele. Se algo não me faz feliz, se não é o caminho que quero para mim, não o devo fazer. De alguma forma, esta é a base atual deste tipo de eugenia, seja por medo (de falhar, de não conseguir, da sociedade, da piedade alheia), por vergonha, por achar que aquela vida é inferior, por achar que aquele ser não será feliz ou completo, acho-me no direito de impedir uma vida.



E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. 
Marcos 12:31




Leio um pequeno livro de história de Richard Overy sobre os dias que antecedem a II Guerra Mundial. A páginas tantas, o excerto acima fotografado.
Sorri e identifiquei-me com Mrs. Chamberlain. Na iminência de uma guerra, na iminência de sofrer bombardeamentos, na iminência de ter de se refugiar em abrigos subterrâneos, a preocupação dela, uma delas, pelo menos, é escolher e carregar um cesto de livros.
Não sei o que terá pensado, mas acredito que a ideia de estar fechada durante algum tempo lhe pareceu ilógica sem a presença e companhia de livros. Terá demorado algum tempo a escolhê-los? Terá sentido a pressão de se apressar? Ignoro.
Mas identifico-me com a presença de páginas para atenuar o tédio, o medo, a incerteza.
O Primeiro-Ministro Chamberlain é uma figura que divide opiniões, figura que Overy tenta explicar e de alguma forma contextualizar. De qualquer forma, já ganhei simpatia pela esposa. Que livros terá ela escolhido?

In Overy, Richard - 1939 Contagem Crescente para a Guerra

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

The Walking Dead - estreia da sétima temporada


Depois do turn off que foi o final de temporada, The Walking Dead volta em quinta, mas ainda com alguns problemas. 
A brutalidade das mortes (confirma-se, são duas) está mais na forma, do que na identidade dos mortos. Arrisco-me a dizer que a montanha só não pariu um rato por causa da violência do episódio; mais do que a originalidade ou choque com a identidade dos mortos, o episódio fica em nós pela violência e mudanças que trará às personagens. O choque prometido pelo produtor é muito menos por causa da identidade das vítimas, mais pelo tom do episódio, mas deixou a milhas a violência do número de bd em que Glen é morto, o que é dizer alguma coisa. Ainda assim, poderá ser demasiado violento e non-sense para alguns dos espectadores. Para alguns será violência gratuita, para outros o resultado óbvio do mundo em que a série se passa, mas pode querer indicar um novo status quo para a série. Psicologicamente, o episódio é mais pesado do que graficamente e o objectivo é esse, ainda que Rick já tenha soçobrado psicologicamente umas vinte vezes, a determinada altura é difícil tocar na tecla novidade de forma original. Do Rick durão e psicótico voltamos ao Rick diminuído psicologicamente. Again. Durante quantos episódios? Rick é um bocadinho esquizofrénico a mais para o meu gosto.
Os produtores nem evitam um toque kitsch no final, tão desnecessário quanto previsível. Mas há uma ou duas cenas que funcionam bem, a cena com Carl, por exemplo, ainda que haja ali menos uma ameaça, mais um medo genuíno de pisar o risco.
O busílis é só um, é para continuar neste ambiente durante toda a temporada ou vamos ver o pé no travão e engonhar como na temporada passada? Depois desta introdução, como vão desenvolver Negan, claramente um vilão diferente de The Governor?
O próximo episódio já promete uma mudança de foco, com a acção a cargo do outro grupo de sobreviventes. Oh não, os chatos (a Carol traumatizada, o padre e Morgan) voltam a ter tempo de antena...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Má publicidade

Em agosto, comprei um livro de bd, da coleção da Salvat, Marvel Graphic Novels. Era o Homem-Aranha - Nascimento de Venom e na capa vinham dois nomes, o do argumentista (David Michelinie) e do desenhador (Todd McFarlane). 
Tenho muita coisa do Homem-Aranha dessa altura, mas não me lembrava de ter esta história em particular, comprei o livro não por causa do Venom, mas pela arte de McFarlane. 
O livro é uma compilação de 7 comics americanos e só um é escrito e desenhado pelos nomes inscritos na capa, cinco deles têm arte de Ron Frenz, o que não é bem a mesma coisa.
Paguei 12€ pelo volume, fechado em papelaria, não se pode abrir, e quando cheguei a casa senti-me defraudado, ainda por cima o número desenhado por McFarlane eu já tinha!
Se tivesse comprado o livro numa livraria era mais ou menos certo que o poderia devolver, numa papelaria é mais complicado.
Tentei contactar a editora, que acaba por não ser a Salvat, porque a coleção em Portugal é responsabilidade da Urbanos. 
Primeira dificuldade, os contactos no livro são escassos, há um e-mail para assinaturas e aparentemente para apoio ao cliente, mas ao fim de uma ou duas semanas ainda não tinha resposta à queixa que tinha feito. 
Na net, a página de Facebook da coleção leva-nos para a edição brasileira e o e-mail está a cargo de uma equipa no Brasil. No site da Salvat Portugal a coleção não consta dos seus lançamentos. Como da Urbanos ninguém me diz nada, decido levar o caso para a página de Facebook. Resposta quase imediata.
Troquei mails com eles durante duas semanas, até perceber que não tinham percebido a queixa feita, depois de lhes explicar o conteúdo da mesma pedem-me para esperar pela resposta do editor. 
Esta semana, e após quase um mês de silêncio, voltei a pedir uma resposta. Chegou.

" A queixa que apresenta é relativa à apresentação do livro versus o seu conteúdo, mas esta edição é a tradução e adaptação fiel de um volume que foi aprovado tal qual pela Marvel, e que consta da lista de Graphic Novels oficial de onde saem os volumes para a colecção portuguesa com o mesmo visual. Como referência, poderá ver aqui a capa da versão inglesa, por exemplo, que é igual:
Para além disso, na contra-capa consta a lista das revistas originais que estão incluídas no livro; bem sei que pode ser complicado ir verificar tudo, mas não me parece que seja de dizer que há aqui algum tipo de publicidade enganosa. É muito frequente só se citarem os autores mais importantes na capa, e a linha gráfica desta colecção tem ido por incluir apenas 2 autores.
Ou seja, e no fundo, qualquer queixa que possa haver relativamente a este volume e à maneira como está publicitada a sua equipa criativa, tem a ver com a versão original do livro desenvolvida pela equipa da Marvel, e com as suas opções gráficas e de publicidade.“
Satisfeito com o facto de ter obtido uma resposta, mas insatisfeito com a mesma, respondo. Uma coisa é eu comprar algo que vem aberto e ser responsável pela compra que faço, outra é ser induzido em erro. Agradeço a atenção dispensada e digo à minha interlocutora que vou enviar-lhe o livro de volta, que lhe dê o fim que entender, que não o quero.
Responde-me, articulando a devolução do livro e do dinheiro gasto no local de compra. Devolvi-o e recebi o dinheiro pago por ele. 


Escrevi este texto para o Facebook a semana passada e decidi replicá-lo aqui no blog, decidi fazer mais umas pesquisas e deparo com a capa enviada pelo editor do livro. Sem querer, percebo que o argumento dele ainda é mais fraco, o livro na edição em inglês tem mais alguns comics do que a edição portuguesa, fazendo com que o número de edições desenhadas por McFarlane cresça, em vez de uma são quatro, o que de alguma forma apoia, um pouco mais, a decisão de colocar o nome de McFarlane na capa! Coisa que não acontece com a edição portuguesa, porque não tem todos os números da edição original, como o editor (que ainda não sei quem é, me disse).

Andei dois meses nisto e acabei por chegar a um bom porto, algo que duvidava vir a acontecer, até pela pouca transparência no que aos contactos diz respeito e pela ausência de respostas rápidas numa primeira fase.
Um livro é um bem como qualquer outro, e por isso devia ser mais fácil a troca ou devolução como fazemos com outros produtos. Já o fiz, porque é possível e com muito menos transtornos, numa livraria. Raramente o faço porque sei o que estou a comprar e dou uma vista de olhos ao que compro antecipadamente. No caso de livros destes, fechados, só podemos acreditar na capa e essa induziu-me em erro. 
Enfim, saga terminada.